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21/12/2008 14:52

Adeus (e Feliz) Ano velho!





"Acho que a humanidade começa a se livrar do estigma do pecado original, e a Madonna é um símbolo desta nova era redentora _ filosofou Lulu."*

Primeiro erro desta declaração: o entendimento incorreto do que seja pecado original. A sexualidade saudável é muito bem vista e aceita dentro da moral cristã bíblica. E o fato de apresentações explícitas de libido e luxúria feitas por uma artista ‘cinquentona’ poderem ser aceitas e valorizadas por uma maioria não faz a humanidade avançar mais do que avançou o Império Romano durante o governo LIBERTINO de Calígula.
Em segundo lugar: se for um estigma, este forma a base do caráter e está completamente enraizado na formação moral e social do indivíduo, logo, “se livrar” da sua cosmovisão é abandonar sua própria convicção de realidade ou compreensão do que seja a mesma. O que tornaria o indivíduo um ser anacrônico e sem encaixe social.
Terceiro: Redenção** é um conceito cristão que significa livramento de algum mal através do pagamento de um preço. Isto é mais do que simplesmente livramento. Usando uma pequena comparação, esta é a maneira pelo qual, prisioneiros de Guerra e seqüestrados são libertos ainda hoje. E, como citado acima, a redenção da humanidade livra o ser humano do estigma do pecado, mas ainda devemos nos livrar de suas sequelas seguindo o exemplo daquele que nos redimiu; qualquer um em sã consciência dirá em coro comigo que Madonna não tem interesse nenhum em sofrer por ninguém, muito menos pagar alguma coisa, quanto mais ser exemplo para a humanidade. Ao contrário de Jesus Cristo que se deu por todos nós na cruz (João 3.16, Marcos 10.45). Devo lembrar ainda que o sacrifício de Cristo não encontra paralelo em nenhum outro; primeiro porque não visou o lucro próprio; segundo, porque foi um sacrifício pago com a própria vida e não por dinheiro; terceiro, Ele assumiu a culpa pelos erros de uma raça inteira e para sempre, erros estes que não cometeu.
Existem muitas coisas na vida que mostram sua verdadeira face ou significado apenas quando visto de perto, muito perto. Talvez por isso, nos enganamos continuamente sobre as pessoas e fatos. Por só buscar as coisas tangíveis e “reais”, o material e o factível, é que nos prendemos a forma e permanecemos apenas observando a superfície e não aprofundamos os relacionamentos e não buscamos conhecimento das coisas verdadeiras. Uma conseqüência da falta de interesse em desnudar-se e conhecer é a crença comum que nos faz acreditar um pouco mais em nós e nas pessoas apenas porque VEMOS os outros se ajudando, contribuindo de vontade própria, mesmo que seja só um pouco. Tudo o que faz bem, ou traz uma sensação de bem estar é sumamente bom. Esta esperança***, este otimismo de ocasião é um entorpecente natural para a época em que vivemos.
Existe ainda uma quantidade de pessoas que não costumam mostrar-se totalmente porque preferem se auto-proteger com máscaras, especialmente, as máscaras das religiões. Mas diante das grandes catástrofes, ou quando algumas situações revelam o seu "eu" verdadeiro, acabam por ver que todas as pessoas são iguais. E que, quando relutam em se interessar pelos outros, é aí que devem perder as suas roupas e máscaras para notar que todos somos nada.
Acredito que as chuvas copiosas destes últimos meses, e as suas conseqüências sejam um lamento natural da própria criação que resume tudo o que vivemos este ano e presenciamos até aqui; e quanto mais penso sobre isso, mais percepção eu tenho de que as nossas realizações (e aproveito para olhar para o próximo ano), as nossas ações são umas inutilidades, porque quando não nos empenhamos em espalhar a felicidade entre os nossos semelhantes o nosso egoísmo torna-se um flagelo social pior que as maiores desgraças naturais. Por isso, se não estivermos motivados para amar praticamente, e até sofrendo em prol de outros menos afortunados, é desnecessário dizer: Adeus ano velho e Feliz ano Novo!


* Declaração do cantor Lulu Santos antes do show no Maracanã, SEGUNDO CADERNO, Jornal O Globo, pág. 2, 16 de dezembro de 2008.
** cf. O NOVO DICIONÁRIO DA BÍBLIA, edições Vida Nova, 2001, pág. 1372.
***Segundo o Dicionário Aulete digital, (es.pe.ran.ça), sf., 1. Expectativa otimista da realização daquilo que se almeja; 2. Fig. Aquilo ou aquele em que(m) se deposita uma expectativa; 3. Qualquer coisa que seja ilusória; 4. Rel. Juntamente com a fé e a caridade, a segunda das três virtudes básicas do cristão.
enviada por pinduca






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